Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Maldita inclusão digital

Maldita inclusão digital! Maldita Tekpix! Maldito PC Positivo!
Não quero dizer que a democratização do acesso às tecnologias seja ruim. Mas, quando caem em mãos despreparadas, podem se transformar em instrumentos de tortura ou armas letais. Primeiro foi a popularização do ICQ, seguido pelo MSN, Fotolog, Orkut, You Tube, celular, DVD, Mp 3,4,5, 1.000 player... Apesar das ferramentas de uso fantástico, a ignorância teve mais espaço para se propagar. Por isso, muitas vezes acabo amaldiçoando a tal inclusão digital.

Lembro quando fiz meu curso de computação, em 1996. O Windows 95 ainda era uma novidade muito grande, por isso aprendi a mexer no Windows 3.1, que tinha que ser iniciado pelo MS-DOS. Eram raros os computadores com monitor colorido e os disquetes 3,5’’ armazenavam impressionantes 1,44 MB. Cabia tudo o que precisávamos!

Meu primeiro computador foi um Pentium 166 com 10GB de HD. Com muito sacrifício, minha mãe pagou quase R$ 2 mil em 1998. Agora, poderia me livrar das folhas pautadas e digitar meus trabalhos escolares. Mas a revolução veio no ano seguinte. Em 1999, instalamos a famosa internet! Agora eu poderia mandar e-mails, ler as piadas no Piadex e encontrar quase tudo no Cadê.
Com o passar dos anos, os computadores foram barateando e os cursos de informática que ensinavam o bê-á-bá deram mais destaque para os softwares gráficos. As lan houses viraram artigo obrigatório em qualquer cafundó e todo mundo caiu na rede. Já tentaram buscar seu nome na internet? Os resultados são surpreendentes.

Outro marco de tecnologia futurística em minha vida foi o CD. Eu não entendia como as músicas estavam dentro dos LPs e achava interessante como podíamos gravar e regravar as fitas magnéticas. Quando vi aqueles disquinhos espelhados lidos por laser, pensei que o próximo passo seriam os carros voadores dos Jetsons. O discman então... Muito modernos. Aí, veio o DVD. “Feel it, hear it! Di vi Di!” Dizia a propaganda nos filmes em VHS. Agora ele está virando passado e a bola da vez é o Blue-ray.

Mas o mundo digital maravilhoso também está a serviço da estupidez. No bate-papo do UOL, comecei a ver adolescentes trocando o português pelo miguxês ou fofolês. Hoje, o dialeto dos Emos está espalhado pelos sites de relacionamentos, maltratando com gosto a nossa língua mãe. E, para quem não conhece tem até tradutor, o Miguxeitor!

Aí, dia desses quase a inclusão digital resultou em morte. A minha. E de ódio! Estava eu desfrutando do conforto do transporte coletivo, quando nas poltronas de trás foi iniciada uma verdadeira batalha de celulares. Só que para deixar tudo parecido com o inferno, o gênero musical tinha que ser de gosto duvidoso. Um tocava pagode erótico enquanto o outro arrocha degradante.

Nenhum dos proprietários dos celulares modernosos respeitou o aviso colado na porta do ônibus e escrito em três idiomas: “Proibido o uso de equipamentos sonoros”. Mas como entenderiam? Não estava na língua deles. Para evitar outros transtornos, enviarei sugestão a Agerba: mIguxXxu...NauM usE EkIPAMEnTUxXx SOnoruxXx...sEnAUM fiCu tiXTi.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Minha profissão

Já faz mais de uma semana que os juízes do Superior Tribunal Federal decidiram que para ser jornalista não precisa mais de formação superior específica. Minha caixa de e-mails vem recebendo inúmeros textos que execram e aplaudem a decisão dos magistrados. Eu, o que penso? Sei lá. Acho que com diploma, ou não, a seleção natural acaba agindo.

Estou jornalista há quatro anos. Há 10 anos, queria ser veterinária. Mas, um parto complicado de uma cachorrinha que tive fez com que eu repensasse a ideia de lidar com bichos, sangue, sofrimento, etc. Aí, uma amiga minha sugeriu: faz jornalismo. Eu sempre gostei de escrever, era boa em redação, curiosa. Mas o curso só tinha na UFBA e a condição financeira de meus pais impedia de cogitar uma faculdade particular.

Bombei na Federal. Perdi logo na primeira fase. Mas ainda tinha a UESC, cujo curso era de Rádio e TV. Eu, com 17 anos recém completos, tinha que ser aprovada em alguma coisa. Minha mãe já tinha me dado o ultimato: não vou pagar cursinho, vai ter que trabalhar. As matérias de peso do vestibular eram aquelas que eu tinha maior afinidade. Além disso, caso passasse, estaria livre das exatas para sempre! Fiz as provas sem pretensão e fui surpreendida pela ligação de minha mãe, chorando de alegria.

Desde que prestei o vestibular, tive consciência de que o curso de Comunicação Social era com habilitação em Rádio e TV. Digo isso porque, no quarto semestre, uma colega descobriu que não poderia ser publicitária. A princípio, entrei achando que iria escrever roteiros, gravar vídeos, programas de rádio. Tomei um susto quando tive que ler Walter Benjamim, Pierre Levy, Manoel Castells, Saussure...

Mas também tinha um professor bem legal: Dirceu Góes. Foi quem abriu os meus olhos para o jornalismo. Ele corrigia os textos com carinho e senso crítico. Sempre dava força para a galera e fazia com que valorizássemos os profissionais grapiúnas, que não alisaram banco de universidade e tocaram a imprensa regional no peito e na raça.
Também recebi um grande incentivo do meu tio-avô, Manoel Victal. Ele, que começou aqui em Ilhéus como repórter de rádio, na década de 1960 foi para São Paulo, onde acabou virando repórter, editor de polícia, sub-secretário de redação e secretário gráfico do Notícias Populares (aquele que se espremesse saía sangue). Logo no primeiro semestre de curso, ele me encomendou uma matéria sobre Ilhéus para colocar no jornal de bairro que fundara após a aposentadoria.

Ao longo do curso, acabei meio distante do jornalismo. Foram apenas dois semestres e eu achava que não tinha muita vocação. Gostava mais de inventar histórias malucas do que contá-las de forma imparcial e ética.

Aí, quando estava no último semestre de Comunicação, minha mãe me deu o novo ultimato: vai formar e vai ter que trabalhar. Não tinha jeito. Só que agora eu queria muito. Ela conhecia Bonnie Clayver, locutor da Gabriela FM, e me ofereceu para acompanhá-lo na rádio, aprender sobre o dia-a-dia, como funciona na prática.

Fiquei quase um mês de estagiária de Bonnie, desaprendendo tudo o que tinha lido nos manuais. Os spots eram escritos à mão, no verso de panfletos das lojas. Os textos sem barras de respiração. Muitos locutores reclamavam comigo, pois achavam bobagem. Eu coloquei meu academicismo de molho e tentava conciliar os meus conhecimentos teóricos com a vivência dos profissionais.

O pessoal acabou gostando do meu trabalho. Nunca criei confusão com ninguém e procurava absorver tudo o que era positivo com aqueles que sabiam se virar muito bem na frente de um microfone apesar de não conhecerem as Teorias da Comunicação, Estudos de Recepção, Semiótica, e lá vai. Então, por três meses fiquei responsável pela produção e redação do Informe 102,9 e Gabriela News. Com Marcos Bezerra, aprendi a fazer radiojornalismo de oposição sem tomar um processo sequer, utilizando os fatos e não as opiniões pessoais.
Só que a cabecinha de vento da recém formada queria mais, queria o primeiro mundo. A ilusão do progresso me levou a Curitiba, após casar com o meu namorado que arrumei no curso de Comunicação Social. Depois de quatro meses gastando sola de tênis e muito chamex com currículos, abandonei o curso de inglês que dava aula e dei adeus para o frio infernal. Voltei para a minha terra com o pescoço mais mole.

Em Ilhéus, acabei trabalhando na campanha de Valderico Reis de domingo a domingo em troco de um salário mínimo e uma promessa de emprego. Na loucura do processo eleitoral, conheci Solon Cerqueira. Foi quem perguntou o que eu fazia na rádio escuta se tinha curso superior e experiência. Ao longo do processo, enfiaram-me na sala de edição para produzir os vídeos da campanha. Passei muito perrengue, mas foi o meu “intensivão”.

Como todo mundo sabe, Valderico foi eleito e eu, marcando duro para ninguém se esquecer da promessa feita na campanha, fui integrada à equipe da Assessoria de Comunicação Social. Conheci muita gente boa: Antônio Lopes (que havia trabalhado com meu tio Manoel), Ricardo Ribeiro, Davidson Samuel, o saudoso Paulo Pinheiro, Sabrina de Branco, Everaldo Benedito.

Passei dois meses tentando virar jornalista. Todas as vezes que pegavam minhas matérias para revisar, eu ficava espiando por cima do ombro do povo, aprendendo a não repetir os erros. Aí Solon me convocou para fazer a edição do Agenda Ilhéus, programa de rádio oficial da Prefeitura. Bateu um medinho, mas não tinha como recusar. Com ele, aprendi a fazer um programa de rádio “chapa branca” com cara de informativo. Fui pegando o ritmo da coisa e terminei fazendo a redação, produção e até entrevistas (cortando sempre minha voz de menino de 10 anos).

Assim como Valderico, o Agenda Ilhéus virou história. Apesar do período louco, foi uma escola de como enfrentar crises e utilizar a criatividade para vencê-las. Como sempre procurei fazer o meu trabalho, acabei aproveitada pela equipe de Newton Lima. Nos dois anos que seguiram, perdi as aulas de jornalismo com as revisões dos profissionais que são referência em qualidade, mas sempre estive atenta para as dicas do meu amigo Paulo Pinheiro.
Por indicação da amiga e colega Sabrina, assumi a Assessoria de Comunicação da Casa dos Artistas de Ilhéus, lugar que não frequentava por pura ignorância minha. Através da convivência com os profissionais que vivem de semear a arte entre o povo, ganhei mais experiência e fiz amigos maravilhosos. As matérias sobre os espetáculos, projetos, intervenções desafiavam constantemente minha criatividade.

Certo dia, recebi uma ligação de Gilvan Rodrigues, elogiando os meus textos, sempre identificados com KV no cabeçalho das laudas. Ele me convidou para trabalhar na campanha de Antônio de Anízio, candidato a prefeito de Itacaré. Eu faria o texto dos programas de rádio e as matérias por dois meses. Com a maioria esmagadora dos votos, Tonho foi eleito e fez questão de me convocar para integrar a equipe dele. E, é nela que estou no momento.

Então, como minha breve biografia profissional, de como pensava ser veterinária e acabei virando repórter (jornalista tem ar pedante, segundo Gilvan), está sendo assim. Antes da decisão dos juízes, tomada há alguns dias, não fui impedida de exercer minha profissão, a qual não escolhi, mas fui absorvida por vocação. Nunca vou me achar boa o suficiente. Gosto do que faço e procuro fazer melhor a cada dia. Sempre aprendendo com quem tem a ensinar e respeitando os verdadeiros profissionais. Sejam eles diplomados ou não, são os melhores professores.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Frase do dia

"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação".

Marcel Proust


Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Tirinhas

Gosto muito de histórias em quadrinhos e acho as tirinhas um desafio, pois é preciso sintetizar toda uma história em poucos quadrinhos. Sempre passeio pelo Tira da Reta, Dr. Pepper, que usam e abusam do darcasmo e humor negro. Aí, no Jacaré Banguela, vi essas do Vida Besta e me identifiquei também.

Se a vista está curta, clique nas imagens para ampliar.
















Também tem esta do Nadaver, que faz um humor bem legal!

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

O resgate do pintinho


Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram. Mateus 25:40

Não tem jeito! Todas as vezes que conto esta história, alguém de mente fértil (provavelmente com a ajuda de adubo) vem com uma piadinha dúbia sobre o pintinho resgatado. Mas o salvamento foi do filhote da galinha, aquele de penas e bico. Porém, apesar do nome protagonista gerar graça, o ocorrido me ajudou a observar o quanto os seres humanos podem ser altruístas e misericordiosos. Mesmo em relação a um bichinho cujo cérebro não atingirá ao tamanho de uma ervilha e poderá nos servir de alimento.

Era um sábado lindo, quente e convidativo a um banho de mar ou piscina. Meu marido e eu não pensamos duas vezes em fazer valer as mensalidades pagas a AABB. Pegamos o ônibus que para justamente a duas quadras do clube e, quando estávamos a menos de 100 metros do nosso destino, avistamos o pobre pintinho, piando desesperadamente em frente a um portão.

Infelizmente, eu tenho ornitofobia (Ê, palavra nova! Indica medo de aves) e não tinha coragem de tentar pegar o bichinho. Então supliquei:

- Felipe, acode o pintinho! – solicitei ao meu marido que tem medo de outros bichos.
Prontamente, ele correu atrás da avezinha, que também correu dele (presumo que deveria ter antropofobia. Rá! Outra palavra nova, que significa medo de pessoas). A perseguição durou umas quatro idas e vindas, até o bichinho tentar alçar um voo e ser apanhado pelo meu marido gentil.

Com o pintinho em mãos (eu avisei que a história era meio dúbia), começamos a arquitetar o plano para devolvê-lo à sua mãe e irmãos, que piavam e cacarejavam do outro lado do muro. Tentamos afastar as bandas do portão, e quando meu marido abaixou para passar o bicho pro outro lado, um pinscher e um poodle deram as caras, com seus dentinhos afiados, prontos para tirar uma lasquinha dos dedos caridosos de Felipe.

- Putz, tem cachorro! E agora? – hesitei.

Apesar de ter medo da ave, minha angústia em resgatar o desorientado pintinho era que se continuasse na rua, corria o risco de ser atropelado, ou estraçalhado por um cachorro. Para evitar a tragédia anunciada, procuramos algum espaço que desse para passar o filhotinho, que continuava piando a plenos pulmões. Afinal, se o pinto saiu, ele também teria por onde entrar!

Para solucionar o drama do pintinho, pensamos até em jogá-lo por cima do muro. Porém, a emenda poderia sair pior que o soneto. Vai que o bichinho quebra uma pata ou cai de cabeça? Mas, no cantinho inferior do portão de pedestres, havia um buraco pequeno, que talvez coubesse o filhote. Felipe tinha que ser rápido e preciso. O pinscher e o poodle estavam de butuca do outro lado, ávidos por qualquer vacilo.

Acocorados na calçada, iniciamos a devolução da pequena ave ao seu lar e família. Bem, eu estava participando dando apoio psicológico e incentivando a empreitada. Ao passar a cabeça do pintinho, Felipe não pensou duas vezes. Apertou levemente as asinhas do bicho e empurrou o resto pelo buraco. E, finalmente, o salvamento foi concluído.

Com o sentimento de dever cumprido, seguimos nosso rumo. Não descobrimos a cura da AIDS nem conseguimos a paz mundial. Mas, fazer o bem quando somos capazes de fazê-lo, enobrece qualquer um.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Fofão na inquisição


Quando faço um balanço da minha vida hoje, quando a terceira década está cada vez mais próxima, tenho convicção de que tive uma infância muito feliz. Apesar de ter um meio-irmão, fui criada como filha única. Por causa disso, recebi muita proteção dos meus pais, que não me deixavam brincar com qualquer moleque da rua. Então, para me divertir com seres da minha idade, se não estivesse na escola, tinha que ficar pendurada na grade da varanda esperando alguma criança passar ou então contando os dias para as férias, para me reunir com os primos.

Devido à minha “clausura”, minha diversão maior era a televisão. Como estudava pela manhã, meu pai gravava alguns desenhos que gostava para que eu assistisse depois dos deveres. Adorava Thundercats, He-Man, She-Ra, Caverna do Dragão... Todos extremamente violentos, mas, diferente dos de hoje, ninguém estava ligando para teorias psicopedagógicas. À tarde, ligava na TV Manchete para ver Changeman, Jaspion, Lion Man, Black Kamen Rider, Flashman e por aí vai. As séries japonesas seguiam muito bem a linha dos desenhos: pancadaria e monstros horrendos.

Mesmo vendo tanta bagaceira, houve um episódio que causou pânico entre a gurizada: o boneco do Fofão era um assassino. Lembro das diversas lendas que apavoravam o sono de qualquer um. Eu custava a acreditar nas histórias, mesmo elas sendo cada vez mais populares. Tudo sempre acontecia à noite. Numa, o Fofão tinha tomado vida e degolado um garoto com um punhal que carregava dentro de si. Outra vez, tinha estrangulado uma menina. Depois, surgiu a relação entre ele e o Chuck, o brinquedo assassino. Afinal, os dois usavam jardineira jeans e camisa listrada.

Quem tinha o tal boneco começou a ficar desconfiado. Como eu não achava a figura muito atraente, com aquelas bochechas enormes e caídas, mãos e pés desprovidos de dedos e pêlos em tudo quanto é parte do corpo, nunca fiz questão de que meus pais me comprassem o troço nada fofo. Mas, quem tinha o famigerado não perdeu tempo para fazer uma “dissecação” e tirar a prova do que tinha dentro da criatura. Daí começaram a surgir outras histórias, de que havia velas, partes de brinquedos e o tal punhal preto.
Eu continuei sem acreditar nos contos da cripta protagonizados pelo boneco do Fofão até que o jornal do meio-dia anunciou a ligação entre ele e a magia negra. Não sei se eram brinquedos originais, mas exibiram uma matéria contando que uma família resolveu abrir o bicho e, realmente, encontrou vestígios de macumba. O mesmo foi feito por outros proprietários, que também acharam os supostos objetos malévolos. Mas, tranquilizando os espectadores, o repórter esclarecia que o tal punhal era o suporte da cabeça oca de vinil, que ficava presa ao corpo de enchimento. Assim, os seus filhos estavam brincando com um “ebó”, mas não com um serial killer.
Mal havia acabado a matéria e minha mãe já estava apavorada. Afinal, eu fiz questão de lembrar que minha prima tinha um bicho daqueles. Ela não perdeu tempo, pegou o telefone e ligou para minha tia, que morava em Minas Gerais, para contar a notícia: Fofão era do mal e precisava ser eliminado da vida de todos.

Não foi minha santa mãezinha que liderou o movimento, mas o povo não perdeu tempo para se livrar do boneco satânico. Foi armada uma verdadeira santa inquisição, com populares se reunindo para a executar condenação do brinquedo. Não houve qualquer julgamento para esclarecer os fatos e o “herege” acabou queimando na fogueira. Pelas ruas, apenas o cheiro de plástico queimado e famílias aliviadas.

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

TENSO

Acho que a foto que Anabel tirou de meu marido e eu se aplica perfeitamente à nova tendência dos blogs Bobagento e Chongas. Clique na foto para ampliar.








Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Arroxé Geriátrico

Por mais que eu tente proteger meus ouvidos e meus olhos, o tal do Arrocha aparece. Infelizmente, não podemos negar que essa bizarrice faz parte da cultura popular, mas achar lindo e maravilhoso... Tenha dó! E agora está na moda um tal de Arroxé, que é tão brabo quanto o original.
Na quarta-feira passada (28), fui cobrir a excursão de uma turma da Melhor Idade de Itapitanga, que passou a manhã em Itacaré e a tarde em Olivença, em Tororomba. A animação dos coroas era total, até que chegou mais um para completar a festa. Daí, não resisti e gravei o showzinho do Arroxé Geriátrico!

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

O Pão Meu de Cada Dia

Resolvi aderir ao novo projeto da minha amiga-irmã Anabel, do blog Quer ler? Eu Deixo!: O Pão Meu de Cada Dia. É mais uma daquelas ondas de tirar fotos de umas maluquices por um determinado período. Ela estava acabando o projeto 365 dias, quando tirou um auto-retrato adivinhem por quanto tempo? Pois é, estava com tantas dúvidas cruéis sobre qual o novo desafio que acabei ajudando a construir o novo: fotografar o que comeu por um ano.

Depois de vários comentários esdrúxulos e escatológicos (como fotografar o antes e o depois da gororoba), Anabel acabou batendo o martelo e Mascarenhas, namorado de Anabel, fez o favor de batizar a iniciativa: O Pão Meu de Cada Dia.

Eis a minha primeira refeição da séria. O cardápio: pão com patê de sardinha feito por mim. Não foi uma alternativa muito saudável, a aparência é meio feinha, parece que já foi mastigado, mas estava gostosinho.


Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Qualidade do Atendimento

Clique na imagem para ampliar e dar umas risadas

Indeciso

Não sei porquê, mas me lembrei de Felipe.
Se você não tem os olhos do Lobo Mau, clique na imagem para ver melhor!



Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Livros do lixo

Começa o ano e começa a correria pelos materiais escolares. Como Deus ainda não me permitiu um herdeiro, só acompanho as batalhas dos meus amigos e amigas que precisam resolver este desafio caro. Lembro quando meus pais pegavam a lista dos livros que tinham que comprar. Sempre ouvia reclamação de que, a cada ano, pediam mais coisas.

O que eu gostava mais é quando compravam os livros e cadernos novinhos. Lembro do cheiro de cada um, a textura das páginas. Ficava imaginando como iria aprender aqueles assuntos que não faziam o menor sentido para mim. Tinha pena até de escrever o meu nome para não borrar o papel. Mas isso só durava até as primeiras semanas de aula, quando eu já enchia tudo de adesivo e desenhos coloridos.

Minha mãe sempre me ensinou a zelar pelo meu material. Ficava pirada quando emprestava alguma coisa e não me devolviam:

- Cada um precisa cuidar do que é seu. Se seus colegas não têm, é porque são desmazelados - dizia em tom de conselho.

Mas, o cuidado com meus livros andava junto com a economia. Todos eram muito bem encapados. Mas, ao invés de plásticos com bichinhos e personagens da Disney, minha mãe insistia em forrá-los com sacos de lixo azuis. Aí, eu virava motivo de gozação:

- Olha, os livros de Karol! Ela achou no lixo! – riam os meus coleguinhas, enquanto eu tentava arrumar uma resposta para calá-los:

- Os seus é que foram achados no lixo! Olha como estão sujos e cheios de orelhas!

Cada ano era a mesma coisa. Eu curtia os meus livros novinhos até minha mãe chegar com os famigerados sacos de lixo azuis.

- Ô, mãe, compra um forro diferente. O povo lá da escola sempre ri da minha cara – eu suplicava.

- Minha filha, o plástico da livraria ou o saco de lixo cumprem com a mesma função. Deixa o povo rir, isole – ela me respondia como se fosse simples assim e as crianças não fossem extremamente cruéis.

Apenas duas vezes eu consegui fazer minha mãe não encapar os meus livros com os sacos de lixo. Na segunda série, consegui convencê-la a comprar um papel dos Ursinhos Carinhosos.

- Mas aí não é transparente, você não vai saber qual livro é – replicou minha econômica e prática genitora.

- Não tem problema, coloca uma etiqueta com meu nome e o do livro – respondi, dando a solução.

A outra vez que consegui forros mais dignos para meus livros foi na sétima série. Como saí para comprar o material com o meu pai, que sempre foi economicamente mais maleável, empurrei uns plásticos melhores no meio da compra. Foi a minha salvação de mais um ano pagando mico.

Depois disso, não encapei mais meus livros. Até tentei passar contact em um, mas embolou tudo, ficou cheio de bolhas. Segui parcialmente os conselhos de conservação da minha mãe. Tomei os devidos cuidados para não me constrangerem e nem parecer que vieram do lixo.

Entrevada

Às vezes eu me pergunto se, realmente, eu nasci em 1982. Tenho vários sinais de velhice precoce. Os meus amigos riem porque me lembro de coisas do arco da velha (tenho culpa de ter boa memória?), adoro dormir depois de comer; sou meio ranzinza; odeio lugares lotados e com música alta. Mesmo com muita gente dizendo que preciso aproveitar a vida, não me culpo mais por minhas preferências. Ah, todo mundo tem direito a gostar daquilo que o interessa. Por que eu preciso ir na onda dos outros?
Quando era mais nova, tentei me adequar ao padrão. Cheguei até a sair em bloco de carnaval. Tomava tanto pisão no pé, empurrão e banho de cerveja daqueles infelizes que rodam as latinhas, que nem via quem estava tocando. Na última vez que tentei aproveitar a folia momesca, um catador de latinhas cortou minha perna com o saco que carregava. Lei de Murphy? Não sei, mas desisti de ir contra minha natureza.

Além do meu comportamento meio anti-social, minha saúde também não ajuda muito. São tantas dores aqui e acolá, que até me divirto com os nomes dos problemas. Os últimos foram: bursite no quadril, condromalácea patelar e distrofia troclear. O que me assustou mais foi a degeneração do menisco. Nome feio: degeneração. Lembra decomposição, apodrecimento, sei lá. Diz o médico que esses negócios são causados pelos meus joelhinhos que insistem em olhar um para o outro. Agora vou ter que fazer fisioterapia, academia, além de tomar umas cápsulas gigantes por, no mínimo, quatro meses.
Depois da podridão nos meus joelhos, até deixei de me preocupar com meus problemas de circulação. É, tem mais bagaceira! Há mais de um ano o angiologista me mandou usar meia elástica. O pior: meias-calças! E quem agüenta usar esses troços apertados e quentes neste país tropical? Afinal, não vou deixá-las à mostra, pois é muita queimação de filme. Minhas pernas ficam da mesma cor que as dos atores das peças da turma da Mônica. Só falta a cabeça gigante com aquelas pálpebras assustadoras, que ,quando batem, parecem guilhotinas!
Ai, ai... Depois de escrever tantas queixas, constato o quanto estou entrevada. Como nunca sonhei em ser atleta, não faz mal. O engraçado disso tudo é que resolvi fazer um teste da internet que compara a idade biológica e cronológica. Nem acreditei que a minha idade biológica deu dois anos a menos que a cronológica. Morar acompanhado de animais, não ser arroz de festa e gostar de comida sem sal tem suas vantagens. Velhos são os outros!

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Para refletir...

O Natal é injusto, pois o peru morre e a missa é do galo.


Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

O melhor

Para julgar o grau de importância de uma pessoa, precisamos de referências, parâmetros, escalas. Como dizer que fulano é melhor do que beltrano se não sabemos em que? Mas, tem gente que se considera melhor que os semelhantes em tudo e exige que os demais reconheçam os seus méritos de qualquer forma. Daí, aqueles que se submetem a tal capricho são considerados sensatos. Os que não vêem nada de mais na criatura “superior”, são taxados de ignorantes. E a liberdade de opinião vai pelo ralo.
Mesmo sendo uma cidade do interior, baseada na falida cultura do cacau, Ilhéus conserva costumes feudais nada exclusivos. A chamada nata intelectual, social e econômica é reverenciada pelas colunas sociais de jornais e revistas regionais da mesma forma que a Caras estampa os famosos e a alta sociedade do eixo Sul-Sudeste junto com anúncios de joalherias, perfumes e grifes famosas. Dadas às proporções, a elite grapiúna é mimada com fotografias em preto e branco, impressas em baixa qualidade, notas sobre festas e jantares oferecidos, além dos prêmios por méritos duvidosos.
O engraçado de tudo isso é que o circo continua nos eventos, quando os “destaques” se reúnem para as encenações cheias de beijos artificiais, comentários superficiais e exibição. Como há sempre platéia para assistir e aplaudir, os integrantes da “nata” se acham melhores que aqueles que compõem a escória da humanidade. Aquele resto de povo que faz um mundo funcionar para que desfilem nas suas passarelas imaginárias.

Minhas reflexões não trazem nada de novo, pois esse comportamento fútil é mais velho que andar para frente. O que me fez ferver por dentro foi ler uma nota de uma das pessoas que se consideram com mais qualidade que os demais ao deleitar-se com a queda de alguém que não reconheceu toda sua importância. Apesar de considerar imprescindível sua contribuição para a humanidade, a criatura foi tratada como um mortal qualquer.

Eu achei um disparate alguém trazer para si o título de peça fundamental para a construção da história. Ora, todos nós não somos? O que seria de Oscar Niemeyer se não fossem os serventes de pedreiro que misturaram o concreto de suas obras? Cada um tem um papel importante para escrever a história da humanidade. Muitos patrões reclamam dos subalternos, mas quando esses deixam de trabalhar, acabam sentindo falta.

Contribuir para a manutenção da sociedade é dever de todos. E, como diz a compositora Sharon Aciole, “cada um no seu quadrado”. O engraçado é que Jesus Cristo, aquele que mudou a história da humanidade, deixou um recado para todos se tocarem. Há mais de dois mil anos, quando foi chamado de bom mestre, respondeu que só Deus é bom. Infelizmente, mesmo depois desta orientação, ainda tem gente que se considera o melhor.

“Então Jesus chamou todos para perto de si e disse: - Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos”. (Marcos 10: 42-44)

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Antes de ir deitar

Mesmo com as pernas doloridas por causa da má circulação e a coluna enchendo o saco, antes de desligar o computador para ir dormir, acabei topando no blog Tira da Reta. As tirinhas do curitibano Wellington Marçal são muito boas. Excelentes historinhas (com um humor negro fantástico) e ilustrações.

Clique na imagem para ampliar








Complementando a tirinha:

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Cuidado com o que deseja

Clique na imagem para ampliar e, se for besta igual a mim, dê umas risadas.



Domingo, 16 de Novembro de 2008

CONTO DE FADAS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Mensagem enviada pela amiga Aline, do blog "Eles passarão e eu passarinho" me mandou o texto abaixo. Não concordo muito com o desfecho, mas não pude deixar de rir!

Era uma vez uma bela moça que pediu um garoto em casamento: - Você quer se casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, não teve filhos, viajou, conheceu muitos outros garotos, fez plásticas, não lavou louça nem fez jantar, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de ótimo humor. Nunca lhe faltavam pretendentes, ia e voltava a hora que queria, saía pra jantar com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O garoto ficou velho, careca, barrigudo, engordou, broxou e ficou sozinho....
FIM

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Um rolé pelo cemitério

Passear no cemitério nunca esteve entre as minhas opções de lazer favoritas. Quando pequena, já tive medo de algum defunto enterrado pertencer ao balé do clipe Thriller e resolver puxar meu pé. Também tinha medo de pegar piolhos de defunto e ter que raspar a cabeça. Hoje, tenho medo dos maloqueiros que utilizam o local como esconderijo.

Durante o último dia de finados, andei refletindo sobre o hábito de visitar a última morada dos falecidos. A reverência aos mortos, muitas vezes, é maior que aos viventes. O povo leva flores, paga para limpar e caiar os mausoléus, faz orações pela alma do defunto, choram, conversam... Em minha opinião, se investissem o tempo e dinheiro por quem ainda está por aqui, sofrendo as dores do mundo, talvez a recompensa fosse maior.

Não quero discutir os costumes e nem julgar quem está certo ou errado. É que nunca vi muito sentido em cuidar de algo que não precisa de cuidados. Aprendi que, quando morremos, o nosso corpo volta a ser pó e, se andarmos direitinho por aqui, a nossa alma volta para Deus. Assim, não há mais nada a fazer pelos mortos, eles mesmos se acertam com os vermes, as bactérias e com o Pai Celestial.

Vendo o povo indo e vindo dos cemitérios, minha mãe e eu começamos a trocar umas idéias sobre a data. Ela me disse que, antigamente, era um dia solene, de muito respeito, silêncio. Não havia festa e os pais não podiam bater nos filhos. Quando perguntei o porquê, ela me disse que era tradição, igual ao feriado de Sexta-feira da Paixão, só que podendo comer carne.

Assistindo os noticiários e passeando pela internet, vi que o dia de finados também virou opção de passeio. Nas grandes cidades, os túmulos das celebridades são visitados pelos fãs. E não precisa ser um Ayrton Senna para receber flores e homenagens. Os mártires eleitos pela mídia também foram prestigiados, como a menina Isabella e Eloá. A última até o velório virou atração turística, com milhares de homens, mulheres, idosos e crianças se espichando para conferir o que estava dentro do caixão.

Enquanto eu tenho uma relação de indiferença com os cemitérios, minha mãe tem algumas boas lembranças. Desde pequena ela me conta que, quando criança, costumava brincar entre os mausoléus e lápides. Havia um parquinho no local, onde se divertia com os coleguinhas. Ela me diz que ficava alegre quando morria alguma criança, os chamados anjinhos.

- Se a família fosse rica, levava a meninada para tomar refrigerante. Se fosse pobre, davam refresco para a gente – lembra minha mãe, com certo saudosismo.

Depois de ouvir essa, fiquei pensando nas pessoas que achavam que apenas os góticos e “darks” adoravam passear nos cemitérios.

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Vocês se lembram da minha voz?

Quem me conhece pessoalmente sabe que eu não tenho a voz mais bela do mundo. Com um tom infantil, várias vezes, por telefone, acham que sou uma criança ou até mesmo um menino. Já pensei em fazer tratamento, pra ver se consigo passar um pouco de maturidade ao falar, mas acabei desistindo, pois perderia muito da minha personalidade. Sou moleca, dengosa, brincalhona... Apesar não fugir das minhas responsabilidades, não levo a vida muito a sério. Então constatei que não seria problema algum continuar emitindo o meu som próprio!
Por causa da minha voz infantil, já gravei alguns spots para rádio me passando por criança ou fazendo algum personagem maluco. E não é que convenci? Por cinco vezes quase que realizei o meu antigo sonho de ser dubladora. Quando tinha uns 10 anos, no auge da série "Família Dinossauros", eu aprendi a imitar o Baby. Volta e meia alguém me pedia para soltar um "Não é a mamãe" ou "De novo". Pode parecer que não, mas minha voz mudou um pouco após 16 anos, e hoje não consigo imitar o personagem com a mesma semelhança.

Quando estava terminando o segundo grau, até pesquisei sobre como me transformar uma dubladora. Mas aí vi que eu teria que ser atriz com DRT e me mudar para o Rio ou São Paulo. Em minhas buscas, também descobri que não é uma profissão muito estável, que poucos estúdios têm uma equipe fixa, o pagamento não é lá essas coisas e que muitos dubladores têm outras profissões para complementar a renda. Como são atores, podemos ver alguns na tv. É o caso do José Santa Cruz e o Orlando Drummond, que trabalham no Zorra Total, da Globo.

Bestando pela internet, acabei no site Curiosidades da Net, que traz fotos de dubladores famosos e suas "crias". Segue abaixo a cara de Marisa Leal, dubladora do Baby e de uma pá de personagens que fizeram história . Para ver a lista completa, clique aqui.