sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Apertem os cintos, o padre sumiu!

Imaginem a cena: um garotinho olhando para o alto, com o dedinho apontado para o céu e perguntando para a sua mãe:

- Mãe, o que é aquilo? É um pássaro? Um avião? É o super-homem?
E a mãe respondendo:

- Não, filho, é um padre!

Pois é, a onda de religiosos alados não parou com a série americana, do início da década de 70, A noviça voadora. Na trama, a jovem atriz Sally Field interpretava a irmã Bertrille, que levantava vôo, quando uma ventania batia no chapelão aerodinâmico do seu hábito.

A nossa versão brasileira ficou a cargo do padre paranaense Adelir de Carli, que tentou voar por 180 quilômetros, preso a balões coloridos. Mas, a aventura dele seguiu um caminho totalmente diferente da noviça voadora. Ao invés de salvar pessoas, ele é que está precisando de amparo.

Está certo que se trata de uma situação lastimável, envolvendo um ser humano, com família, amigos e um sonho. Mas, a história não deixa de ser cômica. Ainda mais quando se escuta as últimas conversas dele pelo celular:

- Alguém tem que me ensinar como se usa o GPS – solicitou o padre.

Gente, como é que alguém em sã consciência, amarra-se a balões de gás hélio, prepara-se para uma viagem de 20 horas e não sabe manusear um GPS? Desculpem-me pela franqueza, mas eu caí na risada. Parecia cena de alguma comédia protagonizada pelo Leslie Nielsen. Eu já imagino uma adaptação, com o grisalho narigudo, interpretando o sacerdote.
E o padre voador ainda teve o disparate de amparar a aventura dele na fidelidade de Deus, declarando que sua fé no Altíssimo o livraria de qualquer mal. Mas ele esqueceu de uma parte das Sagradas escrituras que dizem: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Isso pode ser lido em Mateus, quando Satanás manda Jesus se jogar de um precipício para ser amparado por anjos.
Não estou condenando o padre aventureiro, mas é que todo o desdobramento de sua aventura está sendo tragicômico. Antes de se enveredar pelos ares, disse desejar quebrar um recorde e estar chamando atenção para a Pastoral Rodoviária, que apóia caminhoneiros. Infelizmente, todos os olhos se voltaram para o ar e, depois, para o mar.
Realmente, o padre voador conseguiu chamar a atenção de todo o Brasil e também da Marinha, Força Aérea, emissoras de televisão, sites... Quem sabe o padre Carli não está na ilha de Lost? Espero que se saia melhor que o Rodrigo Santoro.

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