sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bundas, Brigas e Bocejo

Está chegando a época menos criativa de todos os programas e revistas de fofoca. Está vindo o período em que as rodas de conversa discutirão as personalidades, comportamentos e potenciais das celebridades instantâneas, que serão esquecidas mais rápido do que preparar um Miojo. Tranquem suas portas e desliguem suas televisões, vai começar mais um Big Brother Brasil!
Já deu para perceber que não sou fã do programa. Detesto os chavões e textos filosóficos do Pedro Bial, tenho nojo dos pseudo-artistas gerados e total aversão ao blá-blá-blá sobre o assunto. Mas, tinha que abordar o tema, pois venho me sentindo acuada diante das ameaças do início do próximo BBB.
Sei que vou enfrentar mais de dois meses de irritação, ouvindo que fulaninho fez, sicrana falou ou beltrano pensou em frente às câmeras da Rede Globo. Está para começar uma novela baseada numa realidade totalmente formatada para atrair a audiência, que mostra corpos seminus, festas e intrigas. Tudo o que já se vê no cotidiano, só que com saradões e gostosonas selecionados pela produção.

De reality show há apenas o nome, pois tudo o que as pessoas vêem é o escolhido com o intuito de atrair a audiência. Os olhares são guiados através da edição e todo mundo sai com a impressão de que está vendo o real. E os programas vespertinos, como o de Sônia Abrão, reúnem seus “especialistas” para ganhar tempo e audiência exibindo recortes do que foi ao ar.

Durante o período do BBB, observo a engenhosidade das pessoas para traçar planos de como ganhariam a premiação. Os espectadores que jamais preencheriam os pré-requisitos para serem um “brother” se imaginam dentro da casa, vivendo as situações e curtindo a fama relâmpago.

O povo se envolve tanto com o show que assistir ao Big Brother Brasil fica mais sagrado que ir à missa dominical. E quem perde a edição do dia, fica angustiado. Ou pede para alguém gravar ou corre para a internet para ficar a par dos grandes acontecimentos. Ai da Coelba se deixar faltar luz no dia da grande final. (Confesso que este é o meu grande sonho sarcástico)

No decorrer do BBB, surgem psicólogos e teóricos de quem vai ganhar o prêmio ou quem está fadado ao paredão. Algumas pessoas acabam conhecendo mais os participantes do que aqueles que aqueles que estão ao seu redor, dividindo o reality show da vida. Sabem que uma é cachorra, um é falso e o outro é gente boa. Mas desconhecem o que seus filhos vêem na internet ou fazem na rua, os sonhos da mulher, as inseguranças do irmão, etc.

O Big Brother transforma todos os meios de comunicação em aliados e os telespectadores em alienados. Mas, o que o programa traz de novo? Para mim, é uma grande janela de vizinha fofoqueira que observa a vida alheia. A diferença é que mexe mais com a imaginação e ambição das pessoas. E quem enriquece com isso tudo? As relações interpessoais é que não.

0 comentários: