Já ouvi algumas histórias de pessoas que tiveram suas bagagens extraviadas ou perdidas em vôos. Mas, o meu caso foi bem diferente, pois extraviaram minha mãe. Como? Ao invés de fazer uma viagem de meia-hora, de Salvador para Ilhéus, ela foi passear em Aracaju e São Paulo.
O infeliz extravio aconteceu quando resolvi dar de presente a minha mãe uma chance mais rápida para vir me ver. Como ela não gostava muito das várias horas de ônibus, pensei que um vôo seria maravilhoso.
O meu suplício começou quando, ansiosa, estava esperando ela chegar no aeroporto. Como fazia tempo que ela não vinha à cidade, foi uma parte da família ficar esperando ela descer as escadas do avião. Faltando uns 10 minutos, meu padrasto me telefona:
- Sua mãe só vai chegar amanhã de manhã, pois ela pegou o avião errado – informou-me.
A princípio, pensei que fosse brincadeira dele. Fiquei aguardando o avião dela chegar, esperando vê-la desembarcar com um sorriso maroto. Mas, minhas esperanças foram frustradas, quando o avião pousou e a última pessoa desceu. Daí que minha ficha caiu:
- Extraviaram minha mãe – lamentei.
Fui até o balcão da companhia para saber direito o que havia acontecido. A atendente fez um resumo da ópera:
- Sua mãe embarcou num avião para Aracaju. De lá, voltará para Salvador, de onde irá para São Paulo e pegará um vôo de volta – explicou tranquilamente.
Eu endoidei. Coloquei a mão na cabeça e perguntei:
- Mas e ela chega quando?
- A companhia está ciente de tudo. Este foi o trajeto mais curto para ela vir para Ilhéus. Sua mãe chegará amanhã, às 9 horas – informou a atendente.
Já era mais de meia-noite. Um vôo que duraria menos tempo do que meu forno demora para assar um bolo, faria minha mãe passar a noite percorrendo aeroportos e aviões.
Nem precisa falar que quase não dormi, pensando em minha mãe. O que ela estaria fazendo, se conseguiria pegar a conexão a tempo ou até mesmo a correta. Chorei, murmurei, xinguei do presidente da companhia aérea até o fiscal de pista.
Na manhã do outro dia, esperei minha mãe no bendito aeroporto. Fui me informar com a atendente, mas ela não sabia me garantir se minha genitora havia pegado o vôo correto. Aí minha angústia foi para o mais alto grau.
O avião vindo de São Paulo estava confirmado. Para aumentar o suspense, atrasou um pouquinho. Não via a hora da aeronave tocar o solo para poder abraçar minha mãe e dizer o quanto me preocupei.
Como um raio não cai no mesmo lugar com tanta freqüência, ela chegou sã e salva. Desceu as escadas rindo e soltando beijos. Adentrou no saguão de braço dado com a aeromoça, que também ria. Ela me abraçou forte e beijou minha testa.
- Mãe, a senhora está bem? – perguntei com lágrimas nos olhos.
- Menina, passei um bocado! – exclamou, soltando uma gargalhada e tirando um punhado de balas toffe do bolso.
Só minha mãe para se divertir com os contratempos! Não é à toa que se chama Maria das Graças.



1 comentários:
Karol, suas histórias são muito hilárias! Seu blog tá muito "porreta". Parabéns!
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