segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pra não dizer que não falei das flores

Como alguns me tacharam de preconceituosa e insensível, resolvi escrever um pouco mais sobre flores, pegando carona no título da memorável canção de Geraldo Vandré.
Um dia desses, a caminho do trabalho, vi um motoboy saindo da floricultura com um buquê de rosas lindo. Estava muito bem enfeitado, envolto num papel cheio de pequenos corações brancos e uma fita vermelha amarrando o arranjo. Então pensei: “Alguém vai abrir um grande sorriso”.
Lembro que, quando ainda estava na escola, suspirava ao ver as colegas recebendo buquês dos namorados ou admiradores secretos. Eu e o resto da turma das rejeitadas até combinamos de nos presentear, só para mostrar que também poderíamos ser queridas. Mas, concluímos que isto seria o cúmulo do encalhamento.
A primeira pessoa que me deu flores foi o meu marido, na época em que namorávamos. Não era nenhuma data especial. Ele disse que apenas sentiu vontade de me dar uma flor. Era um botão de rosa perfumado que valeu a emoção de um buquê imenso. Mais besta fiquei quando soube o significado, já que dar uma única rosa quer dizer “sou louco por você”.
Depois de abrir o meu “sorrisão”, veio a preocupação: como vou guardar a minha flor? Coloquei-a num jarro com água gelada, pois diziam que ajuda a conservar. Mas, não teve jeito. Ela foi murchando, as pétalas caindo... Senti uma dor no coração, pois não queria jogar fora aquele presente carinhoso. Cortei o talo e coloquei junto com as cartas que meu amor havia me mandado. Mas, a flor ainda estava úmida e acabou dando mofo em tudo.

Outras flores vieram depois da primeira. E, sempre que elas morriam, vinha o sentimento angustiante. Como me desfazer de algo escolhido com tanto carinho? Receber flores se tornou algo ambíguo. Quando ganho, fico feliz, mas depois fico triste. Nem mesmo aquelas que vêm em vasos duram muito. Nunca sei se morrem por vencimento do “prazo de validade” ou falta de cuidados meus. Acho que um cacto poderia ser mais adequado para mim.

Símbolos de amor, pureza, paz, religião, as flores encantam. Só não causam alegria em casos de enterro ou velório. E, mesmo fora deste contexto, algumas podem despertar sentimentos não muito agradáveis. Um exemplo são os crisântemos amarelos, que me dão arrepios por sempre marcar presença nos cemitérios.

Por isso, antes de presentear alguém é bom fazer uma pesquisa. Flores de tipos e cores diferentes podem passar mensagens variadas. E, se quiser apelar para o romantismo, evite os motoboys. Grandes buquês fazendo entradas triunfais podem impressionar. Mas, para derreter o coração, as pompas são desnecessárias. Afinal, a intenção é o tempero da atitude.

2 comentários:

Bel disse...

Certíssima!!!
Eu prefiro ganhar vasos de flores, que duram mais! ;)

superior disse...
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