Não sei se a maioria das pessoas conhece o termo, mas é bem capaz de já terem visto, dado ou recebido o tal troféu. Não é reluzente ou grandioso. Mas quem o ganha precisa exibi-lo em meio a dezenas de pessoas. A entrega do “prêmio” não é embalada ao som do Hino Nacional. Talvez uma voz e violão, teclados, ou som mecânico tocando o ritmo mais apropriado ao ambiente: serestas, forrós, arrochas...
Comercializado em cestinhas carregadas por vendedores que se esforçam em parecerem simpáticos, os troféus de piranha são dedicados exclusivamente ao sexo feminino. Afinal, qual mulher não gosta de ganhar flores? Não que todas que o recebam sejam piranhas, mas o comportamento de grande parte dos homens que compram a “peça” demonstra o desejo de que elas se comportem como tal. Ou querem facilitar o afastamento dos joelhos ou as recompensam pelos momentos prazerosos já vividos.
Também não quero tirar o romantismo do troféu de piranha. Ainda há aqueles que o compram querendo agradar a amada de forma sincera e ingênua. Estes são raros, mas existem. Porém se conhecessem a conotação do objeto, talvez preferissem arrancar hibiscos que nascem à beira da rua.
Eu aprendi este termo quando tinha uns 11 anos. Certa noite, minha mãe e um ex-namorado dela me chamaram para comer pizza. Na mesa em frente, havia um casal bem peculiar: um coroa com uma jovem em trajes condizentes com o nome do troféu. Quando o vendedor chegou com a cesta, cheia de pequenos buquês arrumados de forma circular, minha mãe já me puxou para repassar o seu ensinamento: chamam aquilo de troféu de piranha.
Comecei a acompanhar o vendedor pela pizzaria. Ele tinha sua estratégia de venda muito bem feita: chegava só em casais. De repente o rapaz foi chamado pelo estalar de dedos do coroa da mesa da frente. Ele se aproximou da cesta, puxou o troféu e o ergueu à frente da ninfeta. Ela sorriu, deu um beijinho no “amado” e colocou o objeto junto ao peito. Daí eu, na minha inocência infantil gritei:
- Ih, mãe, a mulher da frente ganhou o troféu de piranha! – disse aos risos e apontando o dedo para facilitar ainda mais a identificação da sujeita.
É óbvio que minha mãe ficou rosa, vermelha, roxa de vergonha. Mas, não agüentou e também começou a rir da situação. Afinal, todo mundo perdoa a honestidade infantil. A ganhadora do troféu não demonstrou tanta satisfação. Fez uma cara de mau gosto que foi desfeita quando o coroa sussurrou algo no seu ouvido e deu uma fungada no seu cangote.
A partir deste episódio, sempre que vejo os vendedores se aproximando com as cestinhas repletas de buquês, não consigo mais deixar de acompanhá-los e rir a cada venda. A diferença é que agora controlo a minha língua, pois há muito tempo perdi a áurea infantil que protegia minha sinceridade.
Na semana passada, descobri que o famigerado troféu de piranha está acompanhando os avanços tecnológicos. As flores são artificiais e, através de fibras óticas, mudam de cor. Não vieram para substituir os antigos, pois estes são vendidos com uma utilidade a mais: servir de peça de decoração. Mas, mesmo assim, continuam sendo troféus de piranha.
Se alguém tem dúvidas se já recebi ou permiti que me comprassem um troféu desses, a resposta é um sonoro não!



2 comentários:
Ai, que horror...
Eu já ganhei dessas rosas oferecidas à mesa dos restaurantes, e não foi troféu de piranha, não! Foi do marido mesmo... kkkkkkkkkkkkkk
Bjooooo
A piranhagem está ficando cibernética, já viu?
E um comentário: vc pode imaginar como eu sou vitma do preconceito quando saio com meu marido, né?
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