Para julgar o grau de importância de uma pessoa, precisamos de referências, parâmetros, escalas. Como dizer que fulano é melhor do que beltrano se não sabemos em que? Mas, tem gente que se considera melhor que os semelhantes em tudo e exige que os demais reconheçam os seus méritos de qualquer forma. Daí, aqueles que se submetem a tal capricho são considerados sensatos. Os que não vêem nada de mais na criatura “superior”, são taxados de ignorantes. E a liberdade de opinião vai pelo ralo.Mesmo sendo uma cidade do interior, baseada na falida cultura do cacau, Ilhéus conserva costumes feudais nada exclusivos. A chamada nata intelectual, social e econômica é reverenciada pelas colunas sociais de jornais e revistas regionais da mesma forma que a Caras estampa os famosos e a alta sociedade do eixo Sul-Sudeste junto com anúncios de joalherias, perfumes e grifes famosas. Dadas às proporções, a elite grapiúna é mimada com fotografias em preto e branco, impressas em baixa qualidade, notas sobre festas e jantares oferecidos, além dos prêmios por méritos duvidosos.
O engraçado de tudo isso é que o circo continua nos eventos, quando os “destaques” se reúnem para as encenações cheias de beijos artificiais, comentários superficiais e exibição. Como há sempre platéia para assistir e aplaudir, os integrantes da “nata” se acham melhores que aqueles que compõem a escória da humanidade. Aquele resto de povo que faz um mundo funcionar para que desfilem nas suas passarelas imaginárias.
Minhas reflexões não trazem nada de novo, pois esse comportamento fútil é mais velho que andar para frente. O que me fez ferver por dentro foi ler uma nota de uma das pessoas que se consideram com mais qualidade que os demais ao deleitar-se com a queda de alguém que não reconheceu toda sua importância. Apesar de considerar imprescindível sua contribuição para a humanidade, a criatura foi tratada como um mortal qualquer.
Eu achei um disparate alguém trazer para si o título de peça fundamental para a construção da história. Ora, todos nós não somos? O que seria de Oscar Niemeyer se não fossem os serventes de pedreiro que misturaram o concreto de suas obras? Cada um tem um papel importante para escrever a história da humanidade. Muitos patrões reclamam dos subalternos, mas quando esses deixam de trabalhar, acabam sentindo falta.
Contribuir para a manutenção da sociedade é dever de todos. E, como diz a compositora Sharon Aciole, “cada um no seu quadrado”. O engraçado é que Jesus Cristo, aquele que mudou a história da humanidade, deixou um recado para todos se tocarem. Há mais de dois mil anos, quando foi chamado de bom mestre, respondeu que só Deus é bom. Infelizmente, mesmo depois desta orientação, ainda tem gente que se considera o melhor.
“Então Jesus chamou todos para perto de si e disse: - Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos”. (Marcos 10: 42-44)
“Então Jesus chamou todos para perto de si e disse: - Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos”. (Marcos 10: 42-44)



1 comentários:
Já estava com saudade (de ler seus textos, de você não, né??? kkkkk)
Juro que não saquei quem foi que se considerou "peça fundamental na construção da história"... dá pra desenhar pra mim???
Beijoooo
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