sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Para refletir...

O Natal é injusto, pois o peru morre e a missa é do galo.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O melhor

Para julgar o grau de importância de uma pessoa, precisamos de referências, parâmetros, escalas. Como dizer que fulano é melhor do que beltrano se não sabemos em que? Mas, tem gente que se considera melhor que os semelhantes em tudo e exige que os demais reconheçam os seus méritos de qualquer forma. Daí, aqueles que se submetem a tal capricho são considerados sensatos. Os que não vêem nada de mais na criatura “superior”, são taxados de ignorantes. E a liberdade de opinião vai pelo ralo.
Mesmo sendo uma cidade do interior, baseada na falida cultura do cacau, Ilhéus conserva costumes feudais nada exclusivos. A chamada nata intelectual, social e econômica é reverenciada pelas colunas sociais de jornais e revistas regionais da mesma forma que a Caras estampa os famosos e a alta sociedade do eixo Sul-Sudeste junto com anúncios de joalherias, perfumes e grifes famosas. Dadas às proporções, a elite grapiúna é mimada com fotografias em preto e branco, impressas em baixa qualidade, notas sobre festas e jantares oferecidos, além dos prêmios por méritos duvidosos.
O engraçado de tudo isso é que o circo continua nos eventos, quando os “destaques” se reúnem para as encenações cheias de beijos artificiais, comentários superficiais e exibição. Como há sempre platéia para assistir e aplaudir, os integrantes da “nata” se acham melhores que aqueles que compõem a escória da humanidade. Aquele resto de povo que faz um mundo funcionar para que desfilem nas suas passarelas imaginárias.

Minhas reflexões não trazem nada de novo, pois esse comportamento fútil é mais velho que andar para frente. O que me fez ferver por dentro foi ler uma nota de uma das pessoas que se consideram com mais qualidade que os demais ao deleitar-se com a queda de alguém que não reconheceu toda sua importância. Apesar de considerar imprescindível sua contribuição para a humanidade, a criatura foi tratada como um mortal qualquer.

Eu achei um disparate alguém trazer para si o título de peça fundamental para a construção da história. Ora, todos nós não somos? O que seria de Oscar Niemeyer se não fossem os serventes de pedreiro que misturaram o concreto de suas obras? Cada um tem um papel importante para escrever a história da humanidade. Muitos patrões reclamam dos subalternos, mas quando esses deixam de trabalhar, acabam sentindo falta.

Contribuir para a manutenção da sociedade é dever de todos. E, como diz a compositora Sharon Aciole, “cada um no seu quadrado”. O engraçado é que Jesus Cristo, aquele que mudou a história da humanidade, deixou um recado para todos se tocarem. Há mais de dois mil anos, quando foi chamado de bom mestre, respondeu que só Deus é bom. Infelizmente, mesmo depois desta orientação, ainda tem gente que se considera o melhor.

“Então Jesus chamou todos para perto de si e disse: - Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos”. (Marcos 10: 42-44)