domingo, 18 de janeiro de 2009

Entrevada

Às vezes eu me pergunto se, realmente, eu nasci em 1982. Tenho vários sinais de velhice precoce. Os meus amigos riem porque me lembro de coisas do arco da velha (tenho culpa de ter boa memória?), adoro dormir depois de comer; sou meio ranzinza; odeio lugares lotados e com música alta. Mesmo com muita gente dizendo que preciso aproveitar a vida, não me culpo mais por minhas preferências. Ah, todo mundo tem direito a gostar daquilo que o interessa. Por que eu preciso ir na onda dos outros?
Quando era mais nova, tentei me adequar ao padrão. Cheguei até a sair em bloco de carnaval. Tomava tanto pisão no pé, empurrão e banho de cerveja daqueles infelizes que rodam as latinhas, que nem via quem estava tocando. Na última vez que tentei aproveitar a folia momesca, um catador de latinhas cortou minha perna com o saco que carregava. Lei de Murphy? Não sei, mas desisti de ir contra minha natureza.

Além do meu comportamento meio anti-social, minha saúde também não ajuda muito. São tantas dores aqui e acolá, que até me divirto com os nomes dos problemas. Os últimos foram: bursite no quadril, condromalácea patelar e distrofia troclear. O que me assustou mais foi a degeneração do menisco. Nome feio: degeneração. Lembra decomposição, apodrecimento, sei lá. Diz o médico que esses negócios são causados pelos meus joelhinhos que insistem em olhar um para o outro. Agora vou ter que fazer fisioterapia, academia, além de tomar umas cápsulas gigantes por, no mínimo, quatro meses.
Depois da podridão nos meus joelhos, até deixei de me preocupar com meus problemas de circulação. É, tem mais bagaceira! Há mais de um ano o angiologista me mandou usar meia elástica. O pior: meias-calças! E quem agüenta usar esses troços apertados e quentes neste país tropical? Afinal, não vou deixá-las à mostra, pois é muita queimação de filme. Minhas pernas ficam da mesma cor que as dos atores das peças da turma da Mônica. Só falta a cabeça gigante com aquelas pálpebras assustadoras, que ,quando batem, parecem guilhotinas!
Ai, ai... Depois de escrever tantas queixas, constato o quanto estou entrevada. Como nunca sonhei em ser atleta, não faz mal. O engraçado disso tudo é que resolvi fazer um teste da internet que compara a idade biológica e cronológica. Nem acreditei que a minha idade biológica deu dois anos a menos que a cronológica. Morar acompanhado de animais, não ser arroz de festa e gostar de comida sem sal tem suas vantagens. Velhos são os outros!

2 comentários:

Bel disse...

Hahahahaha
Seu bom humor é fantástico!!!

E o que uma manhã "sem marido" não faz, hein? Dois textos logo de vez!!!

Mas quanto ao envelhecimento precoce... eu sou véia tambéeeeeeem!!! kkkkkkkkk

Beijooo

Bel disse...

Resultado do meu teste:

Parabéns, sua idade biológica, 40 anos e 1 mês é menor ou igual a sua idade cronológica, 43 anos e 8 meses e 1 dia.

Eu "menti" dizendo que não era como formiga para doces e que comia à base de saladinhas. A idade desceu 4 anos!!!