quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Pão Meu de Cada Dia

Resolvi aderir ao novo projeto da minha amiga-irmã Anabel, do blog Quer ler? Eu Deixo!: O Pão Meu de Cada Dia. É mais uma daquelas ondas de tirar fotos de umas maluquices por um determinado período. Ela estava acabando o projeto 365 dias, quando tirou um auto-retrato adivinhem por quanto tempo? Pois é, estava com tantas dúvidas cruéis sobre qual o novo desafio que acabei ajudando a construir o novo: fotografar o que comeu por um ano.

Depois de vários comentários esdrúxulos e escatológicos (como fotografar o antes e o depois da gororoba), Anabel acabou batendo o martelo e Mascarenhas, namorado de Anabel, fez o favor de batizar a iniciativa: O Pão Meu de Cada Dia.

Eis a minha primeira refeição da séria. O cardápio: pão com patê de sardinha feito por mim. Não foi uma alternativa muito saudável, a aparência é meio feinha, parece que já foi mastigado, mas estava gostosinho.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Qualidade do Atendimento

Clique na imagem para ampliar e dar umas risadas

Indeciso

Não sei porquê, mas me lembrei de Felipe.
Se você não tem os olhos do Lobo Mau, clique na imagem para ver melhor!



domingo, 18 de janeiro de 2009

Livros do lixo

Começa o ano e começa a correria pelos materiais escolares. Como Deus ainda não me permitiu um herdeiro, só acompanho as batalhas dos meus amigos e amigas que precisam resolver este desafio caro. Lembro quando meus pais pegavam a lista dos livros que tinham que comprar. Sempre ouvia reclamação de que, a cada ano, pediam mais coisas.

O que eu gostava mais é quando compravam os livros e cadernos novinhos. Lembro do cheiro de cada um, a textura das páginas. Ficava imaginando como iria aprender aqueles assuntos que não faziam o menor sentido para mim. Tinha pena até de escrever o meu nome para não borrar o papel. Mas isso só durava até as primeiras semanas de aula, quando eu já enchia tudo de adesivo e desenhos coloridos.

Minha mãe sempre me ensinou a zelar pelo meu material. Ficava pirada quando emprestava alguma coisa e não me devolviam:

- Cada um precisa cuidar do que é seu. Se seus colegas não têm, é porque são desmazelados - dizia em tom de conselho.

Mas, o cuidado com meus livros andava junto com a economia. Todos eram muito bem encapados. Mas, ao invés de plásticos com bichinhos e personagens da Disney, minha mãe insistia em forrá-los com sacos de lixo azuis. Aí, eu virava motivo de gozação:

- Olha, os livros de Karol! Ela achou no lixo! – riam os meus coleguinhas, enquanto eu tentava arrumar uma resposta para calá-los:

- Os seus é que foram achados no lixo! Olha como estão sujos e cheios de orelhas!

Cada ano era a mesma coisa. Eu curtia os meus livros novinhos até minha mãe chegar com os famigerados sacos de lixo azuis.

- Ô, mãe, compra um forro diferente. O povo lá da escola sempre ri da minha cara – eu suplicava.

- Minha filha, o plástico da livraria ou o saco de lixo cumprem com a mesma função. Deixa o povo rir, isole – ela me respondia como se fosse simples assim e as crianças não fossem extremamente cruéis.

Apenas duas vezes eu consegui fazer minha mãe não encapar os meus livros com os sacos de lixo. Na segunda série, consegui convencê-la a comprar um papel dos Ursinhos Carinhosos.

- Mas aí não é transparente, você não vai saber qual livro é – replicou minha econômica e prática genitora.

- Não tem problema, coloca uma etiqueta com meu nome e o do livro – respondi, dando a solução.

A outra vez que consegui forros mais dignos para meus livros foi na sétima série. Como saí para comprar o material com o meu pai, que sempre foi economicamente mais maleável, empurrei uns plásticos melhores no meio da compra. Foi a minha salvação de mais um ano pagando mico.

Depois disso, não encapei mais meus livros. Até tentei passar contact em um, mas embolou tudo, ficou cheio de bolhas. Segui parcialmente os conselhos de conservação da minha mãe. Tomei os devidos cuidados para não me constrangerem e nem parecer que vieram do lixo.

Entrevada

Às vezes eu me pergunto se, realmente, eu nasci em 1982. Tenho vários sinais de velhice precoce. Os meus amigos riem porque me lembro de coisas do arco da velha (tenho culpa de ter boa memória?), adoro dormir depois de comer; sou meio ranzinza; odeio lugares lotados e com música alta. Mesmo com muita gente dizendo que preciso aproveitar a vida, não me culpo mais por minhas preferências. Ah, todo mundo tem direito a gostar daquilo que o interessa. Por que eu preciso ir na onda dos outros?
Quando era mais nova, tentei me adequar ao padrão. Cheguei até a sair em bloco de carnaval. Tomava tanto pisão no pé, empurrão e banho de cerveja daqueles infelizes que rodam as latinhas, que nem via quem estava tocando. Na última vez que tentei aproveitar a folia momesca, um catador de latinhas cortou minha perna com o saco que carregava. Lei de Murphy? Não sei, mas desisti de ir contra minha natureza.

Além do meu comportamento meio anti-social, minha saúde também não ajuda muito. São tantas dores aqui e acolá, que até me divirto com os nomes dos problemas. Os últimos foram: bursite no quadril, condromalácea patelar e distrofia troclear. O que me assustou mais foi a degeneração do menisco. Nome feio: degeneração. Lembra decomposição, apodrecimento, sei lá. Diz o médico que esses negócios são causados pelos meus joelhinhos que insistem em olhar um para o outro. Agora vou ter que fazer fisioterapia, academia, além de tomar umas cápsulas gigantes por, no mínimo, quatro meses.
Depois da podridão nos meus joelhos, até deixei de me preocupar com meus problemas de circulação. É, tem mais bagaceira! Há mais de um ano o angiologista me mandou usar meia elástica. O pior: meias-calças! E quem agüenta usar esses troços apertados e quentes neste país tropical? Afinal, não vou deixá-las à mostra, pois é muita queimação de filme. Minhas pernas ficam da mesma cor que as dos atores das peças da turma da Mônica. Só falta a cabeça gigante com aquelas pálpebras assustadoras, que ,quando batem, parecem guilhotinas!
Ai, ai... Depois de escrever tantas queixas, constato o quanto estou entrevada. Como nunca sonhei em ser atleta, não faz mal. O engraçado disso tudo é que resolvi fazer um teste da internet que compara a idade biológica e cronológica. Nem acreditei que a minha idade biológica deu dois anos a menos que a cronológica. Morar acompanhado de animais, não ser arroz de festa e gostar de comida sem sal tem suas vantagens. Velhos são os outros!