Maldita inclusão digital! Maldita Tekpix! Maldito PC Positivo!Não quero dizer que a democratização do acesso às tecnologias seja ruim. Mas, quando caem em mãos despreparadas, podem se transformar em instrumentos de tortura ou armas letais. Primeiro foi a popularização do ICQ, seguido pelo MSN, Fotolog, Orkut, You Tube, celular, DVD, Mp 3,4,5, 1.000 player... Apesar das ferramentas de uso fantástico, a ignorância teve mais espaço para se propagar. Por isso, muitas vezes acabo amaldiçoando a tal inclusão digital.
Lembro quando fiz meu curso de computação, em 1996. O Windows 95 ainda era uma novidade muito grande, por isso aprendi a mexer no Windows 3.1, que tinha que ser iniciado pelo MS-DOS. Eram raros os computadores com monitor colorido e os disquetes 3,5’’ armazenavam impressionantes 1,44 MB. Cabia tudo o que precisávamos!
Meu primeiro computador foi um Pentium 166 com 10GB de HD. Com muito sacrifício, minha mãe pagou quase R$ 2 mil em 1998. Agora, poderia me livrar das folhas pautadas e digitar meus trabalhos escolares. Mas a revolução veio no ano seguinte. Em 1999, instalamos a famosa internet! Agora eu poderia mandar e-mails, ler as piadas no Piadex e encontrar quase tudo no Cadê.
Com o passar dos anos, os computadores foram barateando e os cursos de informática que ensinavam o bê-á-bá deram mais destaque para os softwares gráficos. As lan houses viraram artigo obrigatório em qualquer cafundó e todo mundo caiu na rede. Já tentaram buscar seu nome na internet? Os resultados são surpreendentes.
Outro marco de tecnologia futurística em minha vida foi o CD. Eu não entendia como as músicas estavam dentro dos LPs e achava interessante como podíamos gravar e regravar as fitas magnéticas. Quando vi aqueles disquinhos espelhados lidos por laser, pensei que o próximo passo seriam os carros voadores dos Jetsons. O discman então... Muito modernos. Aí, veio o DVD. “Feel it, hear it! Di vi Di!” Dizia a propaganda nos filmes em VHS. Agora ele está virando passado e a bola da vez é o Blue-ray.
Mas o mundo digital maravilhoso também está a serviço da estupidez. No bate-papo do UOL, comecei a ver adolescentes trocando o português pelo miguxês ou fofolês. Hoje, o dialeto dos Emos está espalhado pelos sites de relacionamentos, maltratando com gosto a nossa língua mãe. E, para quem não conhece tem até tradutor, o Miguxeitor!
Aí, dia desses quase a inclusão digital resultou em morte. A minha. E de ódio! Estava eu desfrutando do conforto do transporte coletivo, quando nas poltronas de trás foi iniciada uma verdadeira batalha de celulares. Só que para deixar tudo parecido com o inferno, o gênero musical tinha que ser de gosto duvidoso. Um tocava pagode erótico enquanto o outro arrocha degradante.
Nenhum dos proprietários dos celulares modernosos respeitou o aviso colado na porta do ônibus e escrito em três idiomas: “Proibido o uso de equipamentos sonoros”. Mas como entenderiam? Não estava na língua deles. Para evitar outros transtornos, enviarei sugestão a Agerba: mIguxXxu...NauM usE EkIPAMEnTUxXx SOnoruxXx...sEnAUM fiCu tiXTi.
