quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Meu amigo vai virar rua

Paulo Pinheiro, eu e Felipe no Carnaval 2008. Foto de José Nazal

Sabe aquelas pessoas que você mal conhece e já ama de verdade? Pois é, Paulo Pinheiro era assim. Deus me presenteou ao permitir que eu trabalhasse com esse cara único, que partiu cedo e deixou muita saudade. Aliás, saudade só, não. Ele deixou sua marca no mundo e em todas as pessoas que conviveram com ele.

Sempre alto astral, era impossível passar uma manhã com ele sem dar uma boa risada. quando tinha alguma matéria de Cultura, ele já se prontificava a fazer. Às vezes usava tantos floreios que ele ria sozinho, identificando seus exageros.

Paulo também era um cozinheiro de mão cheia. Certa vez, ele me prometeu um mousse de chocolate que não era trazido nunca. Enchi tanto a paciência dele que ele acabou fazendo um outro, de coco verde com calda de goiaba. Humm, babo só de lembrar. E ele foi embora sem me dar a receita...

Trabalhamos juntos por quatro anos na ASCOM da Prefeitura de Ilhéus e, no dia em que comuniquei minha mudança para Itacaré, ele se despediu de mim com os olhos cheios d'água. E, suspirando disse: "A vida é assim mesmo. Foi muito bom ser seu colega". Ele não apenas me ensinou a escrever melhor, mas também me deu excelentes conselhos sobre a vida. Ele desabafava comigo e eu com ele. Os ombros largos dele tinham uma força incrível para carregar seus fardos e também os dos outros. Eu sempre brigava com ele para se sair de problema. Mas ele era generoso demais para ser alheio àqueles que amava.

Ah, mas ele aprendeu alguma coisa comigo também. Ajudei-o a domar o Windows Explorer e ele aprendeu a organizar seus arquivos em pastas e sub-pastas. "Olha, Karolzinha, fiz a minha primeira pasta sozinho. Bata!" - comemorou Paulo. Também apresentei-o ao Google, que ele achou fantástico. "Tem tudo aqui! Que maravilha" - disse uma vez.

Paulo Pinheiro foi um dos incentivadores desse blog sem vergonha. Ele era o meu leitor teste. Antes de publicar qualquer coisa, eu mostrava para ele. Ou ele chorava de rir, ou dava seus pitacos para melhorar. Sua sinceridade me dava maior segurança.

Uma semana antes dele partir, o encontrei cedinho, quando estava indo ao médico. Ele me deu um abraço bem apertado e disse que estava com saudades. Prometeu fazer um almoço para Felipe e eu. Infelizmente não teve tempo de cumprir o planejado. No dia 30 de março de 2009, o coração dele - que tinha espaço para uma pá de gente - resolveu parar de funcionar.

Hoje, soube que Paulo Pinheiro vai virar o nome da rua onde ele morava, no bairro do Malhado. Ideia do vereador Gurita. A rua dos Cometas deu lugar para o nome de um astro de primeira grandeza.