Falta mais de um mês para 25 de dezembro, mas a decoração natalina já chegou às vitrines e prateleiras do comércio. E começam também a aparecer algumas residências iluminadas com pisca-piscas, papais-noéis... Para mim, o Natal é uma festa tão artificial quanto seus ornamentos, um costume tão importado quanto o Halloween. É risível ver pinheirinhos de plástico borrifados com tinta branca num país tropical. E mais: em pleno sertão, quando dezembro é a época do calor mais infernal.
Sei que tem gente que acha o Natal a melhor época do ano. Tem o lance da confraternização, troca de presentes, ceia em família, etc. Só que eu também tenho direito de considerar a época chata, hipócrita, consumista. Na minha casa é que os enfeites não entram. Papai-Noel então, nunca passará de um personagem fictício e comercial para a minha filha. E se ela me perguntar se Jesus nasceu mesmo nessa data, explico que a inventaram para substituir festas pagãs.
Como quase todas as aversões que sinto, a minha contrariedade em relação ao Natal é fruto de trauma de infância. Eu vivia me sentindo culpada por não conseguir me comportar bem para ser digna de ser presenteada pelo bom velhinho. Afinal, assim que começava o mês de dezembro, meus pais faziam questão de me lembrar a todo o momento que Papai-Noel não me daria aquilo que pedi por causa das minhas traquinagens.
Certa vez, tive até uma resposta de Papai-Noel. Na noite do dia 24, botei o sapatinho que mais gostava na janela. De manhã cedo, fui conferir se havia algum brinquedo. Achei uma carta dizendo que esse ano estava difícil, que teve enchente no Rio de Janeiro e havia muitas crianças precisando dele e era para eu guardar segredo sobre a carta. Claro que eu tinha que guardar segredo! A carta escrita com a letra de meu pai. Só se fosse para eu me sentir ainda mais idiota. Pronto, frustração eterna em relação a data.
Depois que meus pais se separaram então... Tinha que ir para a casa dos outros, onde sempre tem alguém bebendo mais do que deveria. E eu também recuso algumas comidas típicas da época. Por que tudo precisa ter passas e ser agridoce? Farofa com passas, arroz com passas, salpicão com passas e maçã, lombo com laranja. Ceia natalina passa longe das minhas preferências.
Apenas uma vez eu tive que deixar de lado as minhas convicções em relação ao Natal. Estava em casa, quando meu pai bateu à porta. Dei um beijo no meu coroa, antes de sentarmos para conversar, ele puxou o conteúdo que trazia numa sacola plástica.
- Olha o que eu fiz! – exibiu o objeto com satisfação.
Era um aro oval, feito de festão verde e enrolado com uma fita vermelha. Estava troncho, com um laço murcho. Aí, tive que fazer a graça:
- E pra quem é essa coroa de defunto, meu pai?
- Eu fiz essa guirlanda de Natal para você – respondeu tão chocho quanto seu artesanato.
Fiquei tão sem graça com a minha pergunta infeliz que não apenas aceitei a lembrancinha, como a deixei pendurada por quase um mês na parede da sala. Às vezes, perguntar não ofende somente a quem se pergunta.

1 comentários:
Ohhh Karol, pior pra mim no Natal é ficar 1 semana sem empregada tendo que me acabar na cozinha, ver meu marido beber com os amigos, depois ter que arrumar tudo de novo. Fora que essas comidas horrorosas são em quantidade exagerada e você passa até o Reveion comendo resto do Natal. Mas quanto a ornamentação, as luzesinhas e tal, isso eu gosto, acho bonitinho. Aqui na minha cidade até hoje eles não arrumaram a cidade e eu senti falta. Todo Natal eu adoto 3 crianças carentes e dou presente. Fico com dó só em pensar delas vendo todo mundo abrir presente e elas não terem nada. Acho que às vezes é bom alimentar a fantasia, pelo menos uma vez no ano pra ver os desejos sendo realizados.
Mas o mais legal de tudo eram os amigos ocultos que fazíamos na faculdade nera? Mó legal, véi! até mesmo naquele dia que Felipe me deu uma lata de ervilha foi legal!!! kkkkk
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