quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sensor de movimento

Sempre fico aflita quando tenho que utilizar algum equipamento com sensor de movimento. Minha impressão é que aquilo nunca vai funcionar, por mais que eu me mexa. Não é “tecnofobia”. É que, por mais que eu me sinta inferiorizada, minha timidez faz com que eu me ache o centro das atenções. Como se todos à minha volta esperassem eu fazer alguma besteira para soltar gigantescos “Ha-ha-ha”, igual no desenho do Charlie Brown. E, como a maioria desses equipamentos está em locais públicos, dispara também meu sensor de ansiedade. 

Parece que a porta eletrônica nunca vai abrir, mesmo que eu dance igual ao Mc Hammer em sua frente, indo de um lado a outro feito uma impressora matricial. Eu nunca sei o quanto devo passar minhas mãos embaixo das torneiras para que comecem a me fornecer água e também não sei por quanto tempo devo continuar me movimentando para que elas não desliguem no meio da lavagem. Ainda existem os secadores de mão, que viraram moda depois da onda ecologicamente correta de acabar com as toalhas de papel. O troço nunca dispara e nunca funciona o suficiente para secar a água. Por isso me irrito logo e enxugo as mãos na roupa. 

Falando em banheiro, dia desses eu fiquei ainda mais aflita ao usar o de um restaurante. Logo acima da porta, tinha esses sprays desodorizadores automáticos. Acho que nunca fiz um xixi tão rápido, pois me sinto mal com aerosol. Na hora de lavar as mãos, baixei a cabeça para proteger meus olhos. E, quando saí, fiquei com medo de levar um jato na nuca. Graças a Deus, saí ilesa, mantendo o perfume que escolhi depois de tomar banho. Nada de ficar cheirando a lavanda, flores do campo ou brisa marinha! 

Mas não foi sempre que me dei bem em banheiros com equipamentos automáticos. Uma vez, passeando em Curitiba, depois de sofrer com o frio e a chuva no centro da cidade, a vontade de eliminar líquidos apertou. Entrei numa loja e pedi para usar o sanitário. Deixei meu marido olhando umas roupas, enquanto eu fui me aliviar. Assim que entrei no banheiro, a luz acendeu sozinha. Não dei muita importância, pois minha bexiga estava estourando. 

Na metade do meu longo xixi a luz resolveu apagar. Pensei: “Era só o que faltava, acabar a energia agora!” O banheiro ficou em breu total, pois não tinha basculante. Daí, logo me lembrei que a luz era com sensor de presença. Com a bolsa pendurada no pescoço, calças arriadas e forçando os joelhos para não encostar na tábua, tive que fica balançando minhas mãos no alto para que o sensor captasse meu movimento e a bendita luz acendesse. Além disso, tinha que tentar administrar o meu xixi, praticamente incontrolável por causa do tempo que fiquei prendendo. Patético! 

Depois de muito me balançar, a única opção foi controlar meu medo de escuro e terminar o meu xixi confiando em minha pontaria. De olhos fechados, fui tateando o pacote de lenço de papel dentro da bolsa para me limpar. Afinal, não enxergava um palmo na frente do meu nariz. Terminado o serviço, assim que me levantei, a desgraçada da luz acendeu só para eu olhar a minha cara de palhaça em frente ao espelho.

2 comentários:

A disse...

Kkkkkkkkkkarol, vc é demais! Morri de rir aqui imaginando a cena kkk

Isabel disse...

KKKKKKKKKKKKKKKK adorei Karol...